Recomendação

#2 Implementação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência sobre a criminalização da esterilização forçada em Portugal

Recomendação do Mecanismo Nacional de Monitorização da Implementação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (Me-CDPD) sobre a Criminalização da Esterilização Forçada em Portugal [PDF]

Objetivo:  Garantir que Portugal cumpra integralmente a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, assegurando o respeito pela autonomia, integridade e igualdade das pessoas com deficiência.
A esterilização forçada constitui uma violação grave dos direitos humanos e deve ser reconhecida e punida como tal.

Recomendações do Me-CDPD

1.Criminalização da esterilização forçada

  • Alterar o Código Penal para que toda a esterilização sem consentimento direto da pessoa seja crime grave.
  • Revogar normas que ainda permitam decisões por terceiros e alinhar a legislação com boas práticas europeias (e.g. Espanha e Malta).
  1. Apoio à tomada de decisão
  • Criar serviços de apoio jurídico e mediadores especializados para ajudar as pessoas com deficiência a tomar decisões informadas sobre saúde sexual e reprodutiva.
  • Assegurar formação obrigatória a profissionais de saúde e comunicação acessível em todas as etapas.
  1. Proibição de decisões substitutivas
  • Garantir que tutores, familiares ou instituições não possam decidir, nem por via judicial, sobre a esterilização de uma pessoa com deficiência.
  • Reforçar a Lei n.º 49/2018 para assegurar que o apoio à decisão nunca se confunde com substituição de vontade.
  1. Reparação às vítimas
  • Criar um fundo de compensação para pessoas esterilizadas sem consentimento (modelo da Noruega).
  • Assegurar apoio psicológico, cuidados de saúde reprodutiva e medidas que promovam a vida independente.
  1. Formação e sensibilização
  • Tornar obrigatória a formação em direitos humanos e sexuais nas áreas da saúde, justiça e apoio social.
  • Realizar formações regulares com base em boas práticas europeias (e.g. Países Baixos).
  1. Monitorização e fiscalização
  • Criar um mecanismo independente de denúncia e fiscalização, com poder para receber queixas, aplicar sanções e acompanhar casos suspeitos.
  • Garantir financiamento adequado e aplicar multas a instituições que pratiquem esterilizações coercivas.
  • Promover estudos sobre a dimensão e impacto da esterilização forçada em Portugal. 

Conclusão

O Me-CDPD considera essencial que Portugal criminalize de forma absoluta a esterilização forçada, garanta apoio à tomada de decisão, capacitação de profissionais, reparação às vítimas e mecanismos independentes de fiscalização.

Cumprir a CDPD é garantir que nenhuma pessoa com deficiência seja privada do direito de decidir sobre o seu próprio corpo e futuro.
A experiência de outros países europeus mostra que esta mudança é possível e urgente.